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In the Azores, where annual rainfall patterns are expected to change with climate change, the major concern for agriculture is the proper management of water resources, which were scarce last year.

“The vulnerability of the islands, and the Azores in particular, to climate change, is relevant to hydrological processes, the availability of freshwater and the recharge capacity of aquifers, the increase in extreme weather events, in changing seasonal temperature and precipitation regimes and in increasing the concentration of CO2 in the atmosphere, which could potentially affect the agriculture and the forestry sector in the future,” diagnoses the Regional Plan for Climate Change (PRAC).

The PRAC comprises 76 measures, of which 64 are dedicated to the adaptation to climate change, and the remaining 12 relate to the mitigation of greenhouse gas emissions.

In the scenario outlined by the study, a “slight tendency of increase [of precipitation]during the winter is expected, which may reach 10%, and a decrease in summer”, as well as “a greater concentration of precipitation in winter, which may suggest that in the future there will be more episodes of inundations and floods and less retention of surface and groundwater”, being “also expected to see an increase in the number of days with precipitation above 20 mm and more rainless frequently”, due to the higher frequency of extreme events.



“It is also expected that episodes of extreme wind and storms may occur with frequency and intensity,” and that “the risk of sea climbing phenomena will increase,” continues the document, which points to “a systematic and consistent increase” in average daily temperatures, “from the end of the 1970s onwards.

In an interview with Agência Lusa, the holder of the Environment portfolio, Marta Guerreiro, said that agriculture is “in fact a sector that also has a very important weight in terms of emissions, but considered, in the PRAC analysis, as a very relevant sector in terms of economic and social dynamics”.

“It’s not the sector where the sharpest reductions are favored, precisely because we are aware that we should play this role in reducing emissions, but we should also be aware of the impact that these roles have on our economic activity”, she added.

Thus, the measures planned for agricultural activities, which, including agroforestry, forestry, and agro-industry, account for 13% of the region’s GDP, are included in the adaptation strand and are essentially related to the management of water resources.

Ricardo Silva, president of the Regional Institute for Agrarian Planning (IROA), admits that the agricultural sector has already felt “the need to adapt its activities to the pressures of climate change”, recalling that, in the region, “summers tend to be greater and extreme phenomena more frequent, which often leads to limitations in the availability of water for agriculture, in the production of fodder and the consequent increase in production costs, particularly in livestock nutrition and water transport”.

To ensure “the continuity of a strong agricultural sector and the maintenance of its competitiveness”, the IROA has been implementing measures such as the strengthening of water storage capacity, the application of supply schedules, the collection of agricultural water and quotas at farm water supply stations.

Rui Coutinho, assistant professor at the University of the Azores, a specialist in volcanology and hydrogeology, explained to Lusa that it is “necessary to look at the characteristics of the archipelago”, where “the quality of groundwater tends to be better than that of surface water”.

The researcher points out that only five percent of the region’s water resources are used for consumption, but he points out that “the resources that are considered available are not always easy to capture.



He considers that it is necessary to resort to high altitude aquifers, “because it is water that is renewed annually, and to leave the boreholes of the basal aquifer, whenever possible, for situations of greater need or drought, such as the one that occurred last year”.

The teacher warns that “the arrival of different atmospheric phenomena, as was the case of hurricane ‘Lorenzo’ (…) contributes to aggravate the problems” and, therefore, calls for an adaptation effort, which includes “the rationalization of consumption”.

This rationalization is already a reality for farmers in the region, who, just last year, experienced a period of drought, which affected more severely the islands of Santa Maria, Graciosa and Pico, but also São Miguel and Terceira, with damage to forage maize crops.

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With a 500-hectare farm in the highlands of Achada das Furnas, on the island of S. Miguel, Altiprado, there were “no such problems – last year was a good year,” says João Pacheco, director of production.

Even so, he admits that it is necessary to be careful, “in fact, last year was a great alert for those who have lower levels of exploration.



“If there are no reservoirs, if there’s no such concern, we’ll eventually have to think about desalination, which, in terms of costs, would skyrocket,” he says.

“I think it’s wrong to let the water run into the sea, then go and catch it almost at sea, and bring it back up to the land where it’s needed. We try to make sure that this doesn’t happen or that the minimum happens, that is, we capture it during this journey, here on the property, so that we don’t spend these resources,” says the head of a farm with 500 head of dairy cows.

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Gestão dos recursos hídricos é a grande preocupação para a agricultura açoriana

Ponta Delgada, Açores, 19 out 2019 (Lusa) – Nos Açores, onde se prevê que os padrões de precipitação anual se alterem com as alterações climáticas, a grande preocupação para a agricultura é a gestão adequada dos recursos hídricos, que chegaram a escassear no ano passado.

“A vulnerabilidade das ilhas, e em particular dos Açores, face às Alterações Climáticas, é relevante nos processos hidrológicos, na disponibilidade de água doce e na capacidade de recarga dos aquíferos, no aumento de episódios meteorológicos extremos, na alteração dos regimes sazonais da temperatura e da precipitação e no aumento da concentração de CO2 na atmosfera, o que poderá potencialmente afetar o setor da Agricultura e Florestas no futuro”, diagnostica o Plano Regional para as Alterações Climáticas (PRAC).

O PRAC engloba 76 medidas, das quais 64 são dedicadas à adaptação às alterações climáticas, e as restantes 12 dizem respeito à vertente da mitigação das emissões de gases de efeito estufa.

No cenário traçado pelo estudo, prevê-se uma ”ligeira tendência de aumento [da precipitação]durante o inverno, que poderá chegar aos 10%, e uma diminuição no verão”, bem como “uma maior concentração de precipitação no inverno, o que poderá sugerir que no futuro existirão mais episódios de inundações e cheias e menor retenção de água superficial e subterrânea”, sendo, “também expectável que se assista a um aumento do número de dias com precipitação acima dos 20 mm e à ocorrência de mais chuva com menos frequência”, devido à maior frequência de eventos extremos.

“É também expectável que os episódios de vento extremo e tempestades possam ocorrer com frequência e intensidade,” e que aumente “o risco de fenómenos de galgamento de mar”, prossegue o documento, que aponta “um aumento sistemático e consistente” das temperaturas médias diárias, “a partir do fim da década de 70”.

Em entrevista à Agência Lusa, a titular da pasta do Ambiente, Marta Guerreiro, afirmou que a agropecuária é, “de facto, um setor que também tem um peso bastante importante em termos de emissões, mas considerado, na análise do PRAC, como um setor muito relevante em termos de dinâmica económica e social”.

“Não é o setor onde se privilegiam as reduções mais acentuadas, precisamente por termos consciência de que devemos fazer esse papel de diminuição de emissões, mas também devemos ter consciência do impacto que esses papéis têm que ter na nossa atividade económica”, completou a governante.



Assim, as medidas previstas para as atividades agrícolas, que, incluindo a agrofloresta, a floresta e a agroindústria, contabilizam 13% do PIB da região, estão incluídas na vertente de adaptação e prendem-se, essencialmente, com a gestão de recursos hídricos.

Ricardo Silva, presidente do Instituto Regional de Ordenamento Agrário (IROA), admite que o setor agrícola já sentiu “a necessidade de adaptar a sua atuação às pressões das alterações climáticas”, lembrando que, na região, “os verões tendem a ser maiores e os fenómenos extremos mais frequentes, o que leva muitas vezes a limitações na disponibilidade de água para a agricultura, na produção de forragens e ao consequente aumento dos custos de produção, nomeadamente na nutrição do gado e no transporte de água”.

Para garantir “a continuidade de um setor agropecuário forte e a manutenção da sua competitividade”, o IROA tem vindo a implementar medidas como o reforço da capacidade de armazenamento de água, a aplicação de horários de fornecimento, de cobrança da água agrícola e de quotas nos postos de abastecimento de água à lavoura.

Rui Coutinho, professor auxiliar da Universidade dos Açores, especialista em vulcanologia e hidrogeologia, explicou à Lusa que é “necessário olhar para as características do arquipélago”, onde “a qualidade da água subterrânea tende a ser melhor que a das águas superficiais”.

O investigador destaca que apenas 5% dos recursos hídricos da região são utilizados para consumo, mas ressalva que “nem sempre os recursos que são considerados como recursos disponíveis são fáceis de ser captados”.

Considera que se deve recorrer a aquíferos de altitude, “porque é uma água que se renova anualmente, e deixar os furos de captação do aquífero basal, sempre que possível, para situações de maior necessidade ou de seca, como a que houve no ano transato”. 

O professor alerta para que “a chegada de fenómenos atmosféricos diferentes, como foi o caso do furacão ‘Lorenzo’ (…) contribui para agravar os problemas” e, por isso, apela a um esforço de adaptação, que passa “pela racionalização dos consumos”.

Essa racionalização é já uma realidade para os agricultores da região, que, ainda no ano passado, experienciaram um período de seca, que afetou com maior severidade as ilhas de Santa Maria, Graciosa e Pico, mas também São Miguel e Terceira, com danos nas culturas de milho forrageiro.

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Com uma exploração de 500 hectares em terras altas, na Achada das Furnas, ilha de S. Miguel, a Altiprado, não teve “esses problemas – o ano passado até foi um ano bom”, afirma João Pacheco, diretor de produção.

Ainda assim, admite que é necessário ter cuidados, “aliás, o ano passado foi um grande alerta para quem tem explorações a níveis mais baixos”.

“Se não existirem reservatórios, se não existir essa preocupação, acabamos por depois, eventualmente, ter de pensar na dessalinização, o que, em termos de custos, dispararia”, considera o engenheiro.

“Acho que o que se faz mal é deixar as águas correrem para o mar, depois ir captá-las já quase no mar, e andar a trazê-las de volta para cima, para as terras onde são precisas. Nós tentamos fazer com que isso não aconteça ou aconteça o mínimo, ou seja, captamo-la durante esse percurso, aqui na propriedade, para não gastarmos esses recursos”, destaca o responsável de uma exploração com 500 cabeças de vacas leiteiras.

ILYD // JPF

Lusa/Fim



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